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A Intemporal Liberdade d(e)o Génio

Janeiro 20, 2010

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e (grandes –

Desertas porque não passa por elas senão elas (mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
(…)
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é (que já me esqueci.

(…)Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei-de arrumá-la e fechá-la;
Hei-de vê-la levar de aqui,
Hei-de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao (lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

Álvaro de Campos in Soneto já Antigo e outros Poemas

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